segunda-feira, 11 de abril de 2011

Arquivo: Adaptando para o RPG

Olá para todos!
Adaptação… Oh palavrinha que adoro. Acho que nos últimos 6 anos eu fiz mais adaptações que cheguei a narrar. Parece loucura, né? Fazendo os cálculos, algumas delas eu nem cheguei a testar. Putz! Mas afinal o que são adaptações? Como fazê-las? Por que fazê-las? Do que fazer? Estas são perguntas que pretendo responder nesta postagem.

Originalmente publicado no RPG do Mestre e no Blog do Tio Lipe "Cavaleiros".

De acordo com o Dicionário Aurélio, adaptação é a “transformação de uma obra literária em representação teatral, cinematográfica, radiofônica ou televisionada”. Evidentemente este conceito é limitado, uma vez que se pode adaptar de tudo, mas levando-o em consideração percebemos que o ponto básico de qualquer adaptação é transportar de uma mídia para outra um tema ou obra. Assim, estamos cansados de ver por aí adaptações de quadrinhos, games e livros para o cinema, ou de mangás para Animês, ou outras tantas combinações. Entretanto, a adaptação da qual vamos tratar aqui é de obras quaisquer para RPG.

Oficialmente existem MUITAS adaptações para RPG, desde as que giram entorno apenas de um gênero (cyberpunk, fantasia medieval, futurista, horror), ou de uma obra de fato (de Senhor dos Anéis até Street Fighter). Quantas adaptações já não foram feitas para GURPS? Recentemente M&M tornou-se o sistema oficial dos heróis da DC Comics (mesmo não tendo nascido como uma adaptação para o Universo DC, ele nasceu como uma para os Supers). A própria Marvel no passado já teve dois sistemas para adaptar seus heróis ao RPG. E o que dizer do BESM, lançado pela Devir tem uns anos, adaptando Animês para o sistema d20. O próprio 3D&T surgiu como um sistema unicamente para representar todas as doideiras dos tokusatsus e Animês japoneses, e hoje é usado para praticamente tudo! Se levarmos a um contexto mais amplo, podemos incluir as adaptações não oficiais, publicadas ou não (é só procurar na net e encontrará muita coisa). Num contexto ainda maior, podemos ver que o próprio RPG é uma IMENSA adaptação de obras gerais (livros, games, quadrinhos, mangás, cultura e folclore) para uma espécie de jogo de tabuleiro onde “não há vencedores”! Já tinham pensado nisso antes? Desta forma, criar adaptações para RPG é justamente criar um novo cenário de jogo, uma ambientação previamente conhecida ou não onde os personagens estarão.

Acho que já respondi três das perguntas (o que são? / do que fazer? / por que fazer?). Falta agora dizer como fazê-las, e de longe esta é a pergunta mais complicada a ser respondida. Na verdade, não há uma resposta certa, uma vez que não existe a fórmula certa para o RPG. É por isso que resumirei aqui o conceito de “adaptação” para a transposição de uma obra de mídia (cenário) para o RPG apenas. Acho que o ponto inicial é definir qual o melhor sistema para o que se pretende adaptar. GURPS é um bom exemplo de sistema para se adaptar de tudo, uma vez que é genérico extreme. O nosso 3D&T é ótimo para adaptar Animês e mangás, enquanto que o Storyteller pode simular os cenários mais realistas e cruéis. A própria proposta do sistema ajuda muito na hora de selecioná-lo. Uma coisa importante é não tentar mudar a proposta do sistema para adequá-lo ao que se pretende adaptar, pois isso vai lhe dar uma enorme dor de cabeça (o pensamento é encontrar o que se parece, não fazer parecer). Além disso, conheça bem o sistema que vai usar e, acima de tudo, o que vai adaptar. Não adianta ser expert num sistema e entender nada de Matrix, e ainda assim querer adaptar o cenário.

Definido o que se vai adaptar e o sistema que vamos usar, é hora de acumular informação. Anote (escreva mesmo!) todo tipo de peculiaridade e características que existe no cenário a ser adaptado, de elementos técnicos até informações banais que sejam interessantes. Não se prenda aos protagonistas da obra original, pois eles não representam bem a maioria dos personagens daquele cenário (geralmente eles são exceções: pessoas de grande poder ou poderes estranhos demais). Uma boa adaptação deve mostrar com a maior fidelidade possível o background do que se está adaptando, não as exceções (estas serão acrescentadas a adaptação como elementos incomuns que podem ser alcançados). Anotadas todas as informações técnicas relevantes, compare-as com o que o sistema proporciona em regras. Aproveite ao máximo o sistema neste aspecto, destaque as regras correlacionadas e mude-as o menos possível. Mudar pouco o sistema ou evitar criar novas regras deixará a adaptação mais estável, pois o sistema mudará muito pouco.

Após fazer as observações técnicas, passe para as do cenário em si. Lembre-se que você está adaptando algo que conhece bem para pessoas que não tem o mesmo domínio que você sobre a obra. Assim, é importante destacar tudo que há de relevante nela na sua adaptação, facilitando a consulta e produção de narrativas. Se puder, acrescente dicas de como usar os elementos do cenário no jogo. Isso complementa o seu trabalho e cativa mais as pessoas para ele. Somente no fim acrescente as regras complementares para justificar as exceções do cenário (coisas que fogem demais ao sistema).

Acho que com isso já é possível pensar em como criar uma adaptação. Esta é uma postagem meio longa, mas curta se pensarmos em conteúdo de fato. Há muito que falar de adaptações, e espero que vocês complementem esta postagem com os seus comentários e experiências. E não se esqueçam: adaptações servem justamente para ajudar aqueles que pretendem jogar com seus cenários e obras favoritas. É importante não apenas fazer, mas apoiar e divulga.

Até and Bye…

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