sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Fate Core: Aspectos da Personagem

Olá pessoas!
No mês passado, o Papo de RPGista orgulhosamente apresentou a vossas senhorias o que são os Aspectos, elementos chave do sistema Fate Core (Evil Hat), falando de forma bem generalista que tipos de aplicações eles podem ter (quase tudo no jogo, diga-se de passagem). Hoje, porém, exploraremos mais profundamente o tema, apontando como eles podem ser usados para descrever as personagens.

Quando estamos criando uma personagem, é preciso imaginá-la como e quem ela será. Além de suas características numéricas, ela precisa ter características descritivas e é ai que entram os Aspectos. Toda personagem terá 3 diferentes tipos de Aspectos, podendo acumular até 5 iniciais. O primeiro e mais importante deles é o Conceito. Como o nome sugere, o Conceito diz quem a personagem é e o que ela faz. Pense em algo como uma “profissão”, uma “raça”, um “papel em vida”, uma “importante relação familiar ou organizacional”, ou mesmo uma mistura de todos eles. Para os veteranos em RPG, uma forma bem fácil de criá-lo é pensar em que tipo de classe sua personagem se encaixaria e adicionar alguns adjetivos para qualificar melhor o Conceito. Exemplos: “elfo rastreador”, “feiticeiro da Ordem de Merlim”, “agente do Sindicato”, “orc montador de wargs”, “bárbaro do norte”.


O segundo Aspecto é o Problema. Se o Conceito diz quem é a personagem, o Problema é aquilo que complica a sua vida de alguma forma. Ele traz caos à vida da personagem e a põe nas mais interessantes situações. O Problema pode assumir duas formas: falhas de carácter ou relacionamentos complicados. As falhas de carácter são o lado sombrio da personalidade da personagem ou os impulsos difíceis de controlar. Exemplos incluem “o perigo é meu aliado” (temerário), “mais uma dose, por favor.” (vício alcóolico), “adoro coisas brilhantes” (cleptomania), “não me toque, escória!” (racismo), “vingança contra o Sindicato” (voto). Já os relacionamentos complicados são organizações e pessoas que tornam a vida da sua personagem difícil. Exemplos incluem “cabeça a prêmio” (procurado), “minha querida filha” (protegido indefeso), “dívida de sangue” (pactos), “Alexei é um problema” (inimigo).

O terceiro Aspecto é a Aventura, ou como gosto de chamar, o prelúdio. Descreva a primeira aventura da personagem e anote um Aspecto relacionado, sendo algo interessante que se alcançou através dela. Esta é a oportunidade para contar a história da personagem e lhe dá mais profundidade. Aqui o Aspecto pode representar de tudo, desde um débito com alguém a até um item especial que a personagem adotou para si. A Aventura em si não precisa ter sido algo heroico ou digno de entrar para os anais da história do cenário, mas sim algo que marcou a vida da personagem ao ponto dela obter um Aspecto do que houve. E, através dela, podem-se justificar os Aspectos já criados e vice-versa, como o motivo pela sua personagem ter sua “cabeça a prêmio” ter sido o motivador da sua Aventura.

É também através da Aventura que o Fate se torna ainda mais narrativo, dando liberdade aos jogadores somarem ao cenário elementos pessoais de suas personagens e entrelaçar suas histórias entre si com um 2º e 3º Aspecto deste tipo, chegando a cota dos 5 Aspectos. Entretanto, os jogadores não precisam escolher todos os 5 Aspectos logo no início do jogo, ainda mais quando as personagens são iniciantes (o Fate Core é próprio para heróis mais experientes). Deixe sobrando um ou dois Aspectos para ligar melhor a sua personagem com outra, gerando laços à medida que elas se conhecem.

Para criar um bom Aspecto é preciso que ele tenha uma dupla-face e que diga mais de uma coisa, mas ainda se mantendo simples. Aspectos devem indicar não apenas características boas da personagem, mas também um lado que possa complicar a sua vida de alguma forma, podendo assim ser usado positiva e negativamente. Isso tem haver com a forma que os Aspectos são usados (invocar e compelir), mas que será explicado numa próxima postagem. Além disso, quanto mais da personagem o Aspecto falar, mais ele poderá ser trazido à tona em jogo. Desta forma, misture diferentes descritores num mesmo Aspecto, ampliando a sua abrangência. Por fim, não complique demais na hora de escrever o Aspecto, deixando-o simples para que todos na mesa possam entender as suas aplicações apenas lendo-o.


Por hoje é só! Tem muita informação ai para se digerir, por isso peçam ajuda nos comentários caso não tenham entendido tudo. Para a nossa sorte, o Fate Core traz muitos exemplos de Aspectos ao longo do seu texto, e explica a concepção de vários deles. O que eu fiz acima foi apenas resumir todo o calhamaço de regras e opções de construção de Aspectos descritos no livro. Além disso, a melhor forma de criar Aspectos é lendo exemplos e tentando fazer você mesmo até se acostumar com esta “mecânica”.

Até and Bye...

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