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domingo, 3 de junho de 2018

Apresentando o Gaia RPG


Olá pessoas!
Na minha última postagem, eu expliquei que este ano traria algumas novidades aqui no blog, e hoje falarei um pouco da primeira delas. No início do ano passado comecei a trabalhar num novo sistema que fosse simples, acessível e completo, onde as personagens progridem de pessoas comuns até se tornarem heróis do seu mundo. E após muita leitura, testes e escrita, eis que cheguei a um resultado o qual posso apresentar ao grande público. Estou falando do Gaia RPG!

Mas afinal, o que é Gaia RPG?
Trata-se de um sistema para jogos ambientados em fantasias medievais, com um cenário em construção, e que usa a soma de atributos ao resultado de dois dados de seis faces (2d6) para a resolução de testes, além de possuir características similares a diversos outros jogos nos quais busquei inspiração, como 13ª Era, FATE Básico e FAE, Dungeon World, Open Legend, Ryuutama e o Sistema +2d6 do Tio Nitro. Entre as suas virtudes está o fato de que ele é gratuito e usa a OGL, ou seja, tem uma licença que permite a qualquer um usá-lo e modificá-lo como achar melhor. Além disso, por necessitar apenas de dados comuns (d6), e como ele será distribuído livremente quando for lançado, o Gaia RPG será extremamente acessível.

A ideia por trás da criação do Gaia RPG nasceu ainda em 2017, inspirado pelos trabalhos publicados pelos amigos do Mundos Colidem, mais especificamente o Medievo, criado pelo Raphael Lima, o Shadowrun para FAE, criado por Petras Furtado, e o Mouse Guard para FAE, criado por Gilberto “Joka” Olimpio (que inclusive tenho muito o que agradecer por toda a ajuda que está me dando neste projeto). Mas as maiores inspirações para a criação do Gaia foram duas: o Ryuutama, pelo qual me apaixonei e até comecei a narrar uma campanha; e o antigo desejo de criar um sistema para fantasias que fosse simples, completo e acessível. E este desejo antigo se reascendeu justamente devido ao pessoal do Mundos Colidem, que vem produzindo uma vasta gama de materiais, de adaptações a publicações autorais, além de textos que auxiliam aos novos e antigos jogadores do nosso hobby.

E como são as personagens no Gaia?
Elas possuem algumas características principais e pontuações derivadas. O conceito define quem elas são e os seus conhecimentos, auxiliando na sua interpretação. O nível representa a sua experiência, variando do 1º ao 10º. A raça especifica algumas das suas características e concedem bônus extras à personagem. Os atributos são valores gerais que todas possuem e que avaliam quão bem são capazes de resolver os desafios que enfrentarão, sendo: Força, Destreza, Constituição, Inteligência, Sabedoria e Carisma (lembra alguma coisa?). As proezas são habilidades, qualidades, vantagens, talentos, técnicas e poderes que a personagem domina. Entre as características derivadas, tem-se: a Carga (representa o quanto de peso que ela suporta transportar); o Vigor (representa o quanto de dano que ela suporta receber); a Essência (representa a sua energia mística e força de vontade); as Defesas (são os valores usados por ela para evitar ataques e efeitos, derivados de cada Atributo); e os Equipamentos (são as armas, armaduras e itens que a auxilia nas suas aventuras).

Perceba que a base das personagens lembra muito a de outros jogos nos quais me inspirei, como Dungeon World e 13ª Era. Os Atributos, por exemplo, foram escolhidos pensando na facilidade para o entendimento do sistema por aqueles que já estão acostumados com o modelo do D&D e seus derivados, além de permitir uma boa variedade nas opções para testes, uma vez que o Gaia não tem perícias (algo que 4 Atributos não proporcionariam), mas sem complicar ao criar uma lista muito grande de opções (como ter 9 Atributos ou mais). Além disso, foi também pensado na estética do jogo (o sistema usa dados de 6 face, tendo então 6 Atributos e 6 Defesas). Alguns elementos tradicionais de jogos do gênero foram mantidos, como os Níveis (permitindo a “quantificação” da força de cada personagem e a criação de encontros adequados), e as Proezas (que fazem as vezes de habilidades de classe, feitos e talentos), mas outros foram simplesmente retirados em pró de uma maior versatilidade e simplicidade do sistema, como as classes e a contagem de dinheiro em moedas.

E as mecânicas?
Todo teste no Gaia RPG é feito com a rolagem de 2d6, cujos resultados serão somados a um dos Atributos ou Defesas da personagem. Em testes simples, ela deverá obter um resultado maior ou igual a 10 para ter sucesso. Caso esteja tentando afetar outra personagem ou adversário, ambas deverão testar e quem obtiver o maior resultado vence (empates são vencidos pelo lado ofensor). Para ajudar nos seus testes, as personagens poderão gastar pontos de Destino (recebidos a cada sessão e com a interpretação dos jogadores), e apelar para a determinação delas, gastando Essência em troca de bônus. Já o dano será calculado pela diferença entre o ataque e a defesa, somando-se o nível da personagem e quaisquer bônus e penalidades de Proezas, Equipamentos e Magias, diminuindo o Vigor do alvo até zerá-lo e deixá-lo indefeso e/ou morrendo.

Uma das maiores inspirações para o Gaia RPG foi o Ryuutama, que apresenta uma mecânica para jornadas única e interessante. Esta mecânica foi usada como base para a empregada no Gaia, tornando a viagem um desafio único e parte da mecânica central do sistema. Resumindo, cada dia de viagem exige a realização de três testes: direção (para o grupo não se perder), viagem (representa o impacto da jornada na saúde de cada personagem), e acampamento (para avaliar os gastos do grupo ao longo do dia e terem encontrado um bom local para descansar). Outros testes poderão ser feitos, seja para obter alimento ou evitar perigos, complementando a jornada e a tornando mais dramática. Já as regras para combates são simples e inspiradas no 13ª Era, com poucas ações e movimentação por zonas, mas ainda possuindo um fator tático importante. O atributo usado para ataques depende do método ou arma usada, e a defesa dependerá do tipo do ataque. Outras ações poderão ser feitas, como fintas, flanquear, provocar, ou se mover de alguma forma, seja em busca de cobertura ou para se esconder (não existe ataques de oportunidade no sistema). Uma das mecânicas mais interessantes do jogo, porém, é a de criação de adversários. O Gaia apresenta um conjunto de regras que permite ao narrador total liberdade para criar qualquer inimigo que desejar, criando-o do zero com poucos passos, o que facilita quando for necessário improvisar, ou usando os modelos prontos apresentados no próprio jogo.

As regras tentarão abranger o máximo de opções possíveis, mas sem exagerar na complexidade, mantendo-as simples e possíveis de serem modificadas facilmente. Com isso, o Gaia RPG alcançará o objetivo de ser um jogo simples, mas completo, dando liberdade para o narrador se aprofundar em cada mecânica do jogo conforme achar melhor, além de o permitir criar materiais complementares e realizar alterações.

Tá, fiquei interessado, mas quando sai?
Este é o Gaia RPG, ou pelo menos uma breve apresentação dele e alguns apontamentos sobre o seu processo criativo. Quanto ao lançamento do seu playtest aberto, ele ocorrerá ainda este mês! Seu PDF gratuito será disponibilizado simultaneamente aqui no blog e no Mundos Colidem, por isso fiquem atentos que em breve vocês poderão jogar mais um jogo com o selo de qualidade Tio Lipe Productions! (okay, parei a zueira, mas fiquem ligados!)

Espero que vocês tenham curtido e fiquem no aguardo pelo lançamento.
Até and Bye...

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